A Arte da Tradução
Eu
amo o que faço e faço o que amo. Traduzir é uma paixão que se transforma em
arte, é uma Pietà feita de palavras, feita de ideias e de dedicação. Ser
tradutor não é uma função, um cargo, uma profissão; ser tradutor é ser
exclusivo, é ser especial.
Toda
a tradução, mau grado a sua complexidade técnica e/ou hermenêutica, é uma obra
de arte única, encerrando em si laivos de conhecimentos, de experiências
acumuladas ao longo de anos pelo tradutor e até mesmo de uma certa dose de
inspiração que as circunstâncias demandam ou que os elementos constantes no
texto apelam em busca de uma certa licença poética que não macula nem ofende o
texto original, mas antes o completa, o adorna e o decora com elementos
linguísticos que ensejam o seu esclarecimento e a sua interpretação. Não se
traduzem palavras nem frases; traduzem-se ideias, conceitos, conhecimentos que
são específicos de cada idioma, de cada povo, de cada parte do cérebro do
leitor. Não existem dois tradutores iguais, assim como não existem duas pessoas
iguais. Cada uma guarda em si as reminiscências do seu povo, a genética da sua
civilização, o hermetismo da Humanidade. O que aos olhos do gentio parece ser
apenas mais um documento, sem muita relevância ou significado, para o tradutor
é um desafio, é uma busca incessante por novos conhecimentos e ideias, é uma
quimera de fatos desconhecidos que se vão revelando por meio de pesquisas, de
consultas, de um estudo debruçado sobre palavras perdidas que brotam como
gêiseres no meio da noite ou simplesmente do nada, revelando o Véu de Maya de
conhecimentos até então ocultos e que trazem ao tradutor aquela palavra que
estava esquecida, aquela interpretação perdida no deserto e que o Universo
simplesmente revelou ao tradutor como as Tábuas dos 10 Mandamentos.
Traduzir
é uma arte única, exclusiva, inclusiva e holística. O tradutor é um escriba que
remete aos tempos modernos a nobre função de transmitir ideias e conhecimentos
resgatados da Antiguidade, a quem a Inteligência Artificial, a tecnologia
moderna ou a cupidez do materialismo se curvam porque nada poderá substituir um
tradutor humano enquanto mundo houver, enquanto povos coexistirem nesta Babel
de conhecimentos e permanente evolução.
MARIANO MENDONÇA LOPES
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