sábado, 8 de agosto de 2026

Texto - A Arte da Tradução

A Arte da Tradução

 

Eu amo o que faço e faço o que amo. Traduzir é uma paixão que se transforma em arte, é uma Pietà feita de palavras, feita de ideias e de dedicação. Ser tradutor não é uma função, um cargo, uma profissão; ser tradutor é ser exclusivo, é ser especial.

 

Toda a tradução, mau grado a sua complexidade técnica e/ou hermenêutica, é uma obra de arte única, encerrando em si laivos de conhecimentos, de experiências acumuladas ao longo de anos pelo tradutor e até mesmo de uma certa dose de inspiração que as circunstâncias demandam ou que os elementos constantes no texto apelam em busca de uma certa licença poética que não macula nem ofende o texto original, mas antes o completa, o adorna e o decora com elementos linguísticos que ensejam o seu esclarecimento e a sua interpretação. Não se traduzem palavras nem frases; traduzem-se ideias, conceitos, conhecimentos que são específicos de cada idioma, de cada povo, de cada parte do cérebro do leitor. Não existem dois tradutores iguais, assim como não existem duas pessoas iguais. Cada uma guarda em si as reminiscências do seu povo, a genética da sua civilização, o hermetismo da Humanidade. O que aos olhos do gentio parece ser apenas mais um documento, sem muita relevância ou significado, para o tradutor é um desafio, é uma busca incessante por novos conhecimentos e ideias, é uma quimera de fatos desconhecidos que se vão revelando por meio de pesquisas, de consultas, de um estudo debruçado sobre palavras perdidas que brotam como gêiseres no meio da noite ou simplesmente do nada, revelando o Véu de Maya de conhecimentos até então ocultos e que trazem ao tradutor aquela palavra que estava esquecida, aquela interpretação perdida no deserto e que o Universo simplesmente revelou ao tradutor como as Tábuas dos 10 Mandamentos.

 

Traduzir é uma arte única, exclusiva, inclusiva e holística. O tradutor é um escriba que remete aos tempos modernos a nobre função de transmitir ideias e conhecimentos resgatados da Antiguidade, a quem a Inteligência Artificial, a tecnologia moderna ou a cupidez do materialismo se curvam porque nada poderá substituir um tradutor humano enquanto mundo houver, enquanto povos coexistirem nesta Babel de conhecimentos e permanente evolução.

 

MARIANO MENDONÇA LOPES

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